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Cidades e pessoas: os motores da nova economia


por Pedro Henrique Negreiros

Os centros urbanos foram a maior invenção da humanidade. Essa afirmação é do professor de economia de Havard, Edward Glaeser, que defende que as cidades foram e são cruciais para gerar novas ideias, disseminar conhecimento e espalhar a prosperidade[1]. Não à toa, elas historicamente são ímãs para quem busca melhores condições de vida, pois proporcionam o ambiente de negócios ou, em outras palavras, a conexão entre pessoas, que gera oportunidades.

Com a população mundial cada vez mais concentrada em cidades, estas ganham ainda mais importância. Nesse sentido, a infraestrutura ofertada torna-se essencial para as questões econômicas, sociais e ambientais que estão em pauta nos dias de hoje e, neste ponto, o planejamento urbano ganha protagonismo no enfrentamento de tais questões.

Cidades de países mais desenvolvidos tentam adequar sua infraestrutura às novas tecnologias, enquanto nos países em desenvolvimento – incluindo o Brasil – ainda há muito do básico a se fazer, como fornecer saneamento básico e reduzir o déficit habitacional.

A boa notícia é que as novas tecnologias vêm reduzindo cada vez mais as distâncias e disparidades entre países de diferentes níveis de desenvolvimento, e isso inclui uma maior facilidade, mesmo para os menos desenvolvidos, para melhorar a eficiência das suas operações e serviços urbanos. A prova disso, é que, apesar do atraso em diversas áreas, no Brasil já é possível vislumbrar num futuro próximo, por exemplo, uma “sensorização” (e, consequentemente, automação) das infraestruturas urbanas, com a alavancagem e popularização da “Internet das Coisas” (IOT).

De forma complementar, a possibilidade de se trabalhar com uma grande massa de dados (big data) permite que a relação com o território seja alterada, refletindo também em uma nova forma de planejar o espaço urbano, na qual cada vez mais são desenvolvidas ferramentas e serviços interativos que permitem a participação dos cidadãos no planejamento e na gestão da cidade. Estas inovações são feitas, em sua maioria, de forma descentralizada e com menores investimentos, se comparadas com grandes obras de infraestrutura, e fazem parte do conceito de Cidades Inteligentes (Smart Cities).

É importante lembrar, no entanto, que a inteligência para a cidade é primeiro humana, e depois tecnológica. Os cidadãos são a matéria-prima básica da economia deste século, dessa forma, a aptidão da cidade de gerenciar e gerar novos conhecimentos, promover a criatividade e o empreendedorismo e, ainda, reter talentos, representa a verdadeira vantagem competitiva na nova economia.

Torna-se cada vez mais importante, portanto, facilitar a conexão entre as pessoas, as instituições e as empresas. Assim, as cidades que dispõem de uma infraestrutura voltada para a criação de um ecossistema de inovação saem na frente, inclusive para melhorar a ofertas dos serviços mais básicos. E por mais que tenhamos uma série de pendências no que tange a oferta desses serviços, as novas tecnologias nos dão a oportunidade de reverter o cenário com maior facilidade.

A conclusão é que o nosso desenvolvimento econômico passa, necessariamente, pelo desenvolvimento dos nossos centros urbanos, já que são eles que concentram a diversidade de talento que gera criatividade, conhecimento e, consequentemente, inovação. As cidades são, portanto, os motores da economia contemporânea, pois são nelas que as conexões entre pessoas – o elemento-chave da inovação – são potencializadas.

[1] http://revistaepoca.globo.com/tempo/noticia/2012/03/edward-glaeser-preservar-casinhas-e-insustentavel.html

Pedro Henrique Negreiros é arquiteto e urbanista.
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